A CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA A PARTIR DO ESPAÇO PÚBLICO NACIONAL: A PRODUÇÃO ESPAÇO CORDIAL E SUAS RUPTURAS.

Cláudio Rezende Ribeiro

Resumo


Em Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda realiza um esforço interpretativo da formação social brasileira que culmina na construção do conceito-síntese do homem cordial. Muito distante de qualquer atribuição moral de “bondade” à sociedade brasileira, esse conceito revela a incapacidade histórica desta em lidar com o isolamento, com o conflito, com a impessoalidade. A construção nacional do Brasil reflete essas características ao negar rupturas e produzir uma conciliação dos tempos do passado e do presente rumo a um futuro certo: sua modernização via industrialização. Este estudo demonstra, a partir de uma investigação sobre o espaço do patrimônio histórico brasileiro, apoiado nas teses da história de Benjamin, como essa opção resultou (e ainda resulta) em barbárie ao apagar conflitos sociais, suas vitórias e suas derrotas em nome de uma memória dos vitoriosos travestida de progresso natural. Analisando a produção de espaços simbólicos da cidade de Ouro Preto, este estudo constrói uma crítica à narrativa nacional brasileira resgatando a tarefa de escovar a história a contrapelo proposta por Walter Benjamin no intuito de renovar questões sobre o significado do conceito de nação.

Palavras-chave: homem cordial, nação, patrimônio histórico, Ouro Preto.


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